Platinosomose é uma parasitose de felinos
domésticos ou silvestres, causada por
um trematódeo da espécie
Platynosomum concinnum.
Comumente ele habita os ductos biliares
e vesícula biliar do gato ,mas pode ser
encontrado no duodeno ou outras
porções proximas do intestino
e ductos pancreáticos.
Geralmente o quadro passa desapercebido,sem
alterações clínicas, mas pode também ocasionar
disfunções hepáticas graves, como colestase,
colangiohepatite e cirrose.
O parasita é encontrado em áreas tropicais e
subtropicais .O ciclo de vida é dependente de
invertebrados como moluscos(caracóis), insetos
terrestres(besouros) e lagartixas ou sapos, que estes
são os últimos hospedeiros antes dos felinos.
O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam
adquirindo os parasitas que estão encistados no
fígado destes hospedeiros,das formas encistadas
surgem as metacercárias que migram para se
desenvolver nos ductos biliares.
Os sinais clinicos serão proporcionais ao grau de
infestação,geralmente há diarréia
mucoide,inapetência,perda de peso, anorexia e
vômitos.
Se houver colestase poderá ser percebida à
icterícia,hepatomegalia,anemia,ascite e aumento
palpável da vesícula biliar.
No ultra-som pode ser observado dilatação de ductos
biliares, dilatação vesicular e hepatomegalia.
A consequência do parasitismo intenso é a colestase
e o desenvolvimento de um processo inflamatório
hepático,o que pode causar uma colangite e até
mesmo uma fibrose,em quadros crônicos.
Há relatos de associação de colangiocarcinoma com
o parasitismo por Platynosomum,o que pode ser
uma das causas desta neoplasia.
O diagnóstico,além da sintomatologia clínica,pode se
feito pelo exame coprológico,pela análise das fezes
através do método de sedimentação com formalina-éter.
É recomendado a administração de um colagogo
antes,para aumentar a quantidade de ovos do
parasita nas fezes,porque nem sempre a oviposição
é suficiente para se detectar os ovos.
Assim,o óleo de milho ou gema de ovo,podem ser
fornecidos para causarem a contração da vesícula
biliar.
Entretanto,em casos graves geralmente há
obstrução do fluxo biliar,o que impossibilita o
sucesso do exame coprológico.
Quase sempre a
laparotomia é necessária nestes casos.
Podendo-se ser diagnóstica e até
terapêutica.
Recomenda-se a retirada de amostras da bile,para
citologia e cultura bacteriana.
Podendo-se observar as alterações hepáticas
macroscópicas e a coleta de fragmentos para a
biópsia.
Um procedimento cirúrgico pode ser realizado para
restaurar o fluxo biliar para o intestino,trata-se da
colecistoduodenostomia,a anastomose da parede
vesicular com o duodeno.
As principais alterações laboratoriais são a
eosinofilia periférica,elevações das enzimas
hepáticas(nem sempre) e a bilirrubinemia.
O tratamento é basicamente o cesticida praziquantel
por três a cinco dias.
O sucesso dependerá do tempo
e grau de infestação,e principalmente do grau de
injúria sofrido pelo fígado.
Em quadros de colangites
é recomendado o tratamento com corticóides.
O suporte deve ser feito com protetores
hepáticos,fluidoterapia e alimentação enteral.
A platinosomose deve ser sempre incluída no
diagnóstico diferencial de icterícia em gatos,
principalmente em regiões de climas tropicais, e em
animais de vida semi-livre, que possuem o hábito de
caçar lagartixas e insetos, estes sendo sérios
candidatos a albergarem e disseminarem o parasita.
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